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CASA E CONSTRUÇÃO

 

A indústria da construção nos Estados Unidos – que abrange tanto a construção de imóveis residenciais como não residenciais – é uma das principais atividades econômicas do país. Sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) estadunidense em 2010 foi de US$ 505,6 bilhões, representativos de 3,4% do total da riqueza gerada na economia. Entre os anos de 2003-2008, o valor adicionado por essa atividade ao PIB apresentou crescimento, no entanto, a recessão econômica iniciada em meados de 2008 atingiu duramente esse segmento industrial e em 2009 e 2010 registrou-se retração no valor gerado por esta atividade econômica.

 

O emprego gerado na indústria da construção, que em 2008 registrava 7,2 milhões de postos de trabalho (5% do total da força de trabalho estadunidense), apresentou retração, somando 6,2 milhões em 2009. Além disso, os gastos totais na atividade de construção somaram US$ 908 bilhões em 2009, uma retração de 14,9% na comparação com o ano anterior. Em 2009, os gastos privados com edificações não residenciais totalizaram US$ 346,7 bilhões, e os públicos, US$ 307,5 bilhões. Já os gastos privados com edificações residenciais somaram US$ 245,6 bilhões em 2009, e os públicos, US$ 7,9 bilhões.

 

De acordo com o Escritório do Censo (US Census Bureau), os Estados Unidos possuíam 773.600 empresas de construção no ano de 2008, das quais 91% eram pequenos negócios empregando menos que 20 funcionários. Apenas 1% destas firmas possuía mais que 100 empregados. Para o Bureau of Labour Statistics, as expectativas de geração de empregos futuros nessa atividade são positivas. Estima-se um incremento de 18,5% no número de postos de trabalho entre os anos de 2008-2018.

 

O Architectural Billings Index, produzido pelo Instituto dos Arquitetos Americanos (American Institute of Architects: AIA, em inglês), que monitora as requisições mensais de projetos arquitetônicos nos Estados Unidos, pode ser um indicador de medição também da atividade de construção. Segundo esse estimador, uma pontuação superior a 50 é um indicativo de crescimento do segmento. No mês de julho de 2010, o índice atingiu 47.9 pontos, um crescimento de dois pontos em relação ao mês anterior e de 5.6 pontos em relação ao mês de julho de 2009. Além do mais, as perspectivas de negócios futuros estão melhorando para empresas especializadas no desenvolvimento de projetos comerciais e industriais, apesar dos reflexos da crise e da debilidade persistente na economia em geral. As empresas do nordeste e do sul do país são as que registram o melhor desempenho, haja vista a maior quantidade de pedidos de novos projetos no período.

 

O boletim de desempenho econômico do Federal Reserve Board - Beige Book - de junho de 2011 destaca que o mercado imobiliário continua fraco na maioria das regiões do país, embora o mercado para aluguéis tenha apresentado leve recuperação.

 

Regionalmente, os estados de Nevada, Arizona, Califórnia e Flórida estão sofrendo os efeitos do ritmo acelerado de construção de residências no passado. No meio-oeste, a queda na demanda por novas moradias associa-se à retração de empregos na indústria automobilística e de componentes. Do mesmo modo, o sucesso da indústria aeroespacial tem impulsionado a atividade imobiliária em Washington. Os estados da Carolina do Norte e da Carolina do Sul beneficiam-se de sua habilidade para atrair empresas de outras regiões do país devido ao seu custo de mão-de-obra mais barato. Louisiana e Mississipi ainda passam pelo processo de reconstrução após o furacão Katrina. O Estado de Utah apresenta uma das maiores taxas de natalidade do país, o que gera pressões habitacionais. Localmente, a atividade de construção residencial permanece decrescendo em Atlanta, Minneapolis, Dallas, Boston, Filadélfia, Kansas City e Cleveland; ao passo que obras de infraestrutura pública estão em alta em Chicago, e o mercado financeiro ainda estimula a construção de imóveis comerciais na cidade de Nova Iorque.

 

A construção de imóveis não-residenciais apresentou retração de 6% em 2010. Todavia, alguns segmentos deverão apresentar melhor desempenho nos próximos anos. As perspectivas de lançamentos de novos empreendimentos comerciais, como edifícios de escritórios, são positivas. A construção de hotéis e estabelecimentos similares, que movimentou US$ 35,7 bilhões em 2007, também deve crescer, embora em um ritmo muito menor, notadamente os hotéis-cassino, os litorâneos e os resorts. O segmento de construção de estabelecimentos educacionais deve apresentar crescimento no médio prazo em função do ingresso dos “echo boomers”, os filhos dos “baby boomers”, no ensino médio. Depois do estímulo à construção de escolas fundamentais, os estabelecimentos de ensino médio devem nortear o crescimento deste segmento. Por fim, a construção de hospitais, casas de repouso e estabelecimentos similares também apresenta perspectivas positivas, uma vez que 13% da população estadunidense se encontra na faixa etária acima dos 65 anos. Os investimentos nesse segmento totalizaram US$ 47 bilhões em 2007.

Segundo dados fornecidos pelo Comtrade, o complexo “Casa e Construção” respondeu, em 2010, por 5,94% do total das importações dos Estados Unidos, ou seja, US$ 116,7 bilhões. Entre 2005-2010, as compras estadunidenses de produtos desse complexo caíram, em média, 1,7%, embora o crescimento médio entre 2009 e 2010 tenha sido de 22,2%. Em 2010, as importações estadunidenses provenientes do Brasil de produtos do complexo “Casa & Construção” alcançaram US$ 1,9 bilhão.

No ano de 2010, os principais grupos de produtos importados desse complexo pelos Estados Unidos foram: móveis e mobiliário médico-cirúrgico, torneiras e válvulas, madeira serrada, tubos de ferro fundido, obras de metais, obras de pedras e produtos cerâmicos.

Do Brasil, as importações estadunidenses concentram-se nos seguintes grupos de produtos: obras de pedras e semelhantes (granitos trabalhados), demais madeiras e manufaturas de madeiras, obras de marcenaria e carpintaria, produtos cerâmicos, demais produtos minerais.

Nos Estados Unidos, apesar do incentivo governamental, as vendas de casas novas retrocederam em 2009 pelo terceiro ano consecutivo, e são a principal razão para o decréscimo nas vendas no varejo de utilidades domésticas e mobiliário até 2010. O consumidor estadunidense mostra-se preocupado com as perspectivas de trabalho e com a pressão dos preços de setores como o de alimentos e combustíveis e, por isso, encontra-se menos propenso a adquirir essas categorias de produtos. Estima-se que os ciclos de substituição devam aumentar nos próximos anos.

Como tendência observada, cabe destacar a crescente diversidade étnica da população estadunidense e os impactos comerciais que esta variabilidade pode trazer nesse setor. A população hispânica tem sido o grupo populacional de mais rápido crescimento, assim como os gastos desses consumidores. Em 1990, o gasto total do consumidor hispânico nos Estados Unidos era de US$ 200 bilhões. Em 2007, este montante atingiu US$ 860 bilhões e projeta-se que some US$ 1,2 trilhão em 2011, segundo informações do Euromonitor International. 

A população hispânica está concentrada no Sudoeste dos Estados Unidos, onde totalizam um quarto da população regional. Esse grupo representava 6% da população total em 1980, e sua participação deve aumentar para 19% em 2020. Em pelo menos quatro estados - Califórnia, Havaí, Texas e Novo México - as minorias étnicas constituem a maior parte da população e, em vários outros, representam entre 25% e 50% do total. Em 1980, a participação de todos os grupos minoritários correspondia a 22% da população total. Estima-se que em 2020, esse montante chegue a 40%. A população de origem asiática é o grupo não-hispânico de maior crescimento, embora esse aumento ocorra sobre uma base relativamente pequena. De acordo com estatísticas do escritório do Censo dos Estados Unidos, em 1980, esse grupo representava 1,7% da população estadunidense e, em 2020, representarão 5,6%. Essa enorme mudança já apresenta impacto significativo nos mercados consumidores. No que concerne ao mobiliário, por exemplo, designers latinos vêm conquistando cada vez mais espaço. Os fabricantes procuram produtos que lhes forneçam designs regionais ou étnicos. Dessa forma, tapetes turcos, móveis mexicanos e almofadas de seda indiana estão cada vez mais presentes nas principais cadeias varejistas do país.

Percebe-se, ainda, que os consumidores estadunidenses têm demandado mais produtos ecologicamente responsáveis. Segundo pesquisa conduzida pela National Geographic Society, 83% dos estadunidenses afirmaram que, entre dois produtos idênticos, escolheriam a opção ecologicamente correta. Desse modo, produtos feitos a partir de materiais reciclados, madeira certificada, lâmpadas e equipamentos de iluminação econômicos, por exemplo, devem apresentar incremento de vendas nos próximos anos. Embora haja interesse pelos chamados “produtos verdes”, os consumidores não estão dispostos a pagar mais por eles. É um desafio para os fabricantes, portanto, desenvolver produtos que combinem preço e responsabilidade ambiental.

Outra perspectiva para o segmento é que, com a recessão econômica forçando muitos americanos a alterarem seus hábitos de consumo, há uma tendência de aumento dos gastos com atividades familiares e domésticas. Essa mudança comportamental pode criar oportunidades para a indústria de mobiliário e decoração, uma vez que os consumidores passam mais tempo em suas residências e procuram torná-las mais confortáveis. Como resultado dessas mudanças de comportamento, várias categorias de utensílios domésticos, tais como aqueles utilizados na preparação e armazenagem de alimentos, apresentaram aumento de demanda nos últimos anos. Os fabricantes estão, por exemplo, oferecendo uma maior seleção de talheres, copos e panelas em cores diversificadas para atrair os consumidores. Segundo análise do Euromonitor International, essa tendência deve ganhar força após a recuperação econômica, na medida em que os consumidores terão redescoberto o prazer do entretenimento doméstico e poderão buscar produtos mais sofisticados e de maior qualidade e design.

No ano de 2008, as vendas de utensílios para cozinhar e cutelaria (ver abaixo) foram as linhas de produtos de utilidades domésticas com o melhor desempenho de vendas. Esse desempenho deve-se, também, ao maior interesse dos consumidores pela gastronomia. Por outro lado, as vendas de produtos de vidro para mesa (ver abaixo) registraram a maior retração nas vendas, haja vista os consumidores não terem renovado essa linha de produtos. Todas as linhas de mobiliário e artigos decorativos registraram contração nas vendas do ano, embora os itens de cama, mesa e banho (ver abaixo) tenham apresentado melhor desempenho em função do preço relativo dessa linha de produtos em comparação com outras categorias.
 

Utensílios para cozinhar: acessórios de cozinha feitos de material que não derrete facilmente, destinados, principalmente, ao preparo de alimentos. Incluem panelas, frigideiras, woks, caçarolas, panelas de pressão. Incluem, também, utensílios de vidro (incluindo caçarolas resistentes ao calor e panelas de vitrocerâmica). Cutelaria: instrumentos e ferramentas de corte. Utensílios como facas, garfos e colheres utilizados como utensílios de mesa. Qualquer ferramenta ou implemento utilizado para cortar e comer alimentos (facas, garfos e colheres). Também inclui instrumentos para preparar e servir alimentos, como facas de cozinha, paleta de facas, colheres para cozinhar e panelas. São incluídos todos os tipos de materiais, como prata, chapa de prata, aço inoxidável, madeira, porcelana, plástico e acrílico. Palitos também estão incluídos. Talheres descartáveis, tais como facas/garfos/colheres e palitos de plástico estão excluídos.


Utensílios de vidro para a mesa: artigos domésticos de mesa feitos de vidro. Excluídos itens de armazenamento (ex. jarras de vidro), pois estão incluídos em utensílios de cozinha. Inclui utensílios para beber feitos de vidro (copos, taças, garrafas e jarras). Não inclui utensílios para cozinhar feitos de vidro (incluindo caçarolas resistentes ao calor e panelas de vitrocerâmica) nem louças de mesa (pratos de vidro, tigelas, travessas e centros de mesa); estes produtos devem ser categorizados, respectivamente, como utensílios para cozinhar e louças de mesa. Utensílios para cozinha: utensílios para uso na cozinha. Excluídos os utensílios utilizados para cozinhar, principalmente panelas e frigideiras. Incluem cafeteiras e bules, tábuas de cozinha, suporte para utensílios de cozinha e paneleiro, lixeiras para cozinha, balanças para cozinha, despensa, porta-pão, organizadores de cozinha, carrinhos de cozinha, faqueiros com suporte, porta-xícaras, porta-rolo de papel, suporte para prato, ralo de cozinha, organizador de temperos, adegas, filtros de água, etc.


Artigos têxteis para o lar e decoração de interiores: artigos para o lar feitos com qualquer tipo de tecido e não descritos acima. Podem ser de tecido, material sintético, couro, pele de animais ou suas combinações. Incluem tecidos/estofamentos para decoração de interiores; cortinados, cortinas, tapeçaria, cortinas de porta e persianas de tecido; artigos para cama (tais como foutons, colchões, camas e travesseiros); roupa de cama (como lençóis, fronhas, cobertores, mantas, edredons e colchas); mesa (toalhas de mesa, guardanapos de mesa, jogos americanos de tecido); banho (toalhas e luvas para banho) e outros artigos para o lar feitos de tecido, como almofadas, sacolas de compras, sacolas de roupa suja, sacolas para sapatos, capas para roupas e/ou mobília, bandeiras, mosquiteiros, guardanapos e guarda-sóis. Bolsas e bagagens estão excluídas. Todos os tapetes e carpetes que sejam fixos estão excluídos e classificados juntamente com carpetes e outras coberturas para piso.
 

 

O mercado para produtos de cozinha em cerâmica e vidro aumentou ligeiramente em 2008 em detrimento dos produtos de metal, uma vez que os consumidores procuram artigos mais versáteis que possam ser levados tanto ao forno quanto ao micro-ondas. Outrossim, entre os talheres e louças, os produtos de plástico e vidro aumentaram sua participação no total das vendas em detrimento dos produtos de porcelana e cerâmica. Contudo, os produtos de metal ainda são os mais comumente utilizados e comercializados nesta categoria.

Nos Estados Unidos, o ambiente competitivo para os estabelecimentos voltados ao comércio de móveis e objetos decorativos é muito fragmentado, com um grande número de grandes cadeias varejistas nacionais, cadeias médias de atuação regional e varejistas independentes. Os principais varejistas representaram, em 2009, apenas 20% do valor das vendas desses produtos. Ressalta-se que a produção doméstica de mobiliário é insuficiente para atender toda a demanda interna. Em 2008, esse déficit representou cerca de US$ 57,2 bilhões, o que torna o país extremamente dependente de importações dessas categorias de produtos. De todo modo, as vendas no varejo giraram em torno de US$ 100 bilhões em 2009, e a perspectiva é que, entre 2010-2014, este comércio apresente incremento de 6% e atinja US$ 107 bilhões.


Oportunidades para os produtos brasileiros do complexo “Casa e Construção” nos Estados Unidos 



Exportações “expressivas”
Para os Estados Unidos, não apareceram grupos de produtos com exportações classificadas como “incipientes a desenvolver” para o complexo “Casa & Construção”. Esta classificação denota que os produtos brasileiros ainda encontram-se em estágios iniciais de inserção no mercado.

Por outro lado, há grupos de produtos cujas exportações foram classificadas como “expressivas”, indicando que as exportações brasileiras desses setores já atingiram um maior grau de maturidade e participação no país importador, que são mais constantes ao longo do tempo e que já possuem participação de mercado minimamente significativa.

Para este complexo as exportações “expressivas” foram classificadas em “a consolidar”, “consolidadas” e “em declínio”.

As exportações expressivas “a consolidar” reúnem aqueles casos em que o Brasil já tem boa parcela de mercado e em que as exportações nacionais crescem em um ritmo próximo ou superior ao dos concorrentes. Nesse cenário, há grande chance de os exportadores aumentarem sua presença no país importador. As exportações denominadas “consolidadas” são aquelas em que a participação brasileira no mercado já é significativa e o Brasil possui ritmo de crescimento igual ou superior à média verificada para os demais concorrentes. A estratégia de atuação para esses grupos de produtos é de manutenção do espaço já conquistado.

Por outro lado, nas exportações classificadas como “em declínio” estão os produtos que nunca chegaram a conseguir se estabelecer no mercado estadunidense e que vêm perdendo espaço nele. Seriam as oportunidades mais difíceis de serem exploradas, porque o quadro desfavorável inicial precisaria ser revertido.

Dessa forma, passe-se à análise dos grupos de produtos classificados nessas três categorias.

Presença “a consolidar” e “consolidada”

Os grupos de produtos classificados como “a consolidar” e “consolidados” estão listados na Tabela 15. Dentre eles pode-se destacar “tubos de ferro fundido, ferro ou aço” e “obras de pedras e semelhantes”, cujos valores importados pelos Estados Unidos em 2009 foram US$ 4,5 bilhões e US$ 1,8 bilhão, respectivamente. Este último destaca-se, ainda, pelo valor exportado pelo Brasil em 2009, que foi de US$ 455,7 milhões. Destaca-se também o conjunto de produtos “painéis de fibras ou de partículas de madeira” pela taxa média de crescimento do Brasil entre 2004 e 2009, que foi de 360,7%.


Tabela 15: Grupos de produtos brasileiros com exportações “expressivas” para os Estados Unidos e presença “a consolidar” e “consolidada” naquele país


Fonte: UICC - ApexBrasil, a partir de dados do Comtrade

Há oportunidades para tubos para oleodutos e gasodutos, tubos para revestimentos de poços, tubos de seção circular estirados e laminados a frio, tubos para extração de petróleo ou gás. Nesse conjunto, os “tubos de ferro ou aço, sem costura, para revestimento de poços, de suprimento ou produção” foram os itens mais importados pelos Estados Unidos em 2009, respondendo por 43,8% do total importado. O Gráfico 26 mostra os principais fornecedores norte-americanos em 2009 e sua posição no mercado estadunidense em 2004.



Gráfico 26: Participação de mercado dos principais fornecedores de “tubos de ferro ou aço” para os Estados Unidos – 2004 e 2009 (%)

 

Fonte: UICC - ApexBrasil, a partir de dados do Comtrade. Elaboração: UICC – Apex-Brasil.

A partir da análise do Gráfico nota-se que China, Índia e Canadá ganharam mercado comparando-se os anos de 2004 e 2009. Importante ressaltar que, em 2004, os Estados Unidos importaram US$ 936 milhões em mercadorias deste conjunto de produtos, e que, em 2009, esse valor saltou para US$ 4,5 bilhões, com taxa média crescimento de 36,9% no período. Nesse cenário, as maiores taxas médias de crescimento foram apresentadas por Coreia do Sul (91,3%), Itália (85,0%), Índia (72,8%) e China (61,2%). A participação brasileira, que em 2004 era de 5,2%, foi de 1,9% em 2009, embora tenha havido um incremento de US$ 39 milhões comparando-se os valores importados do Brasil nos referidos anos. Isso significa que a participação brasileira no mercado estadunidense aumentou juntamente com o crescimento da demanda por esses produtos.

Em 2009, de acordo com informações do MDIC, 119 empresas brasileiras exportaram tubos de ferro ou aço para os Estados Unidos. A maioria (61,3%) foram empresas de grande porte. Ressalta-se que existe uma concentração nessas exportações e que poucas empresas exportaram, no referido ano, grande parte do total desses produtos para os Estados Unidos.

Com relação ao conjunto de produtos “obras de pedras e semelhantes”, percebe-se oportunidades para granitos trabalhados e suas obras, pedras de cantaria trabalhadas e suas obras, abrasivos naturais ou artificiais, obras de pedra e matérias minerais, pastilha para freios contendo amianto, ardósia natural trabalhada e obras de ardósia, granito talhado ou serrado de superfície plana ou lisa, pedras de cantaria talhadas ou serradas de superfícies planas ou lisas, pedras para calcetar e para pavimentação, placas de mica. Os “granitos trabalhados de outro modo e suas obras” foram os produtos mais importados pelos Estados Unidos deste conjunto de produtos, representando 81,6% do total. No Gráfico 27 estão evidenciados os principais fornecedores desses produtos e a sua posição no mercado estadunidense em 2004 e 2009.


Gráfico 27: Participação de mercado dos principais fornecedores de “obras de pedra e semelhantes” para os Estados Unidos  - 2004 e 2009 (%)

 

Fonte: UICC - ApexBrasil, a partir de dados do Comtrade. Elaboração: UICC – Apex-Brasil.

É relevante mencionar que o Brasil foi, tanto em 2004 quanto em 2009, o principal fornecedor desse conjunto de produtos para os Estados Unidos, mantendo sua liderança naquele mercado durante o período analisado e apresentando, inclusive, aumento de participação nesses anos, mesmo com a diminuição do valor importado desse conjunto de produtos. Importante ressaltar, ainda, o aumento da participação chinesa naquele mercado.

Neste conjunto de produtos, em 2009, 407 empresas brasileiras exportaram para os Estados Unidos, com uma predominância de médias empresas (45,2%) e de pequenas empresas (25,5%) e um equilíbrio entre micro empresas (15,9%) e grandes empresas (13,3%). Não se percebe concentração nas exportações desses produtos para o mercado analisado, o que indica que as oportunidades estão acessíveis a diversas empresas do segmento.

Por último, destacam-se as oportunidades para painéis de fibras de madeira não-trabalhados mecanicamente e para painéis de outras matérias lenhosas. Para esse conjunto de produtos o Brasil apresentou taxa média de crescimento superior à dos concorrentes no período de 2004 a 2009, o que indica inserção brasileira no mercado. O Gráfico 28 aponta os principais fornecedores em 2009 e a posição deles no mercado estadunidense em 2004.



Gráfico 28: Participação de mercado dos principais fornecedores de “painéis de fibras ou de partículas de madeira” para os Estados Unidos - 2004 e 2009 (%)


Fonte: UICC - ApexBrasil, a partir de dados do Comtrade. Elaboração: UICC – Apex-Brasil.

É importante observar que o Brasil, em 2004, foi o décimo fornecedor desses produtos para os Estados Unidos, com US$ 12 milhões exportados, o que equivaleu a 0,43% de participação. Em 2009, o Brasil passou a ser o quinto maior fornecedor para aquele país, com 4,38% de participação, ou US$ 25 milhões. Tal situação atesta a penetração brasileira no mercado. Vale destacar, ainda, que o Canadá deslocou a participação chinesa, assumindo a posição de principal fornecedor em 2009.

Para esse conjunto de produtos, nota-se que o Brasil teve 17 empresas exportadoras para o mercado estadunidense em 2009, as quais eram, predominantemente, grandes e médias empresas, 41,2% e 47,1% respectivamente, e que apresentaram alto nível de concentração no total do valor de vendas brasileiras para os Estados Unidos desses produtos.

Presença  “em declínio”
Os grupos de produtos classificados como “em declínio”, e que se caracterizam pela perda de espaço no mercado estadunidense registraram US$ 11,2 bilhões em importações estadunidenses e US$ 280 milhões em exportações brasileiras em 2009. Para essas mercadorias, ainda que haja uma situação inicialmente desfavorável, vale destacar o conjunto de produtos “móveis e mobiliário médico-cirúrgico”, que apresentou o maior valor de importação dos Estados Unidos nesta categoria. Esse conjunto de produtos é formado por móveis de madeira para quartos de dormir, assentos estofados com armação de madeira, cadeiras de dentista e para salões de cabeleireiro e semelhantes.



Tabela 16: Grupos de produtos brasileiros com exportações expressivas para os Estados Unidos e presença “em declínio” naquele país

Fonte: UICC - ApexBrasil, a partir de dados do Comtrade.

 

Entre os grupos de produtos classificados como “em declínio”, de acordo com o indicado na Tabela 16, as exportações brasileiras de “madeira serrada” merecem observação, pois representaram o maior valor comercializado pelo Brasil entre os produtos analisados nesta classificação. O Brasil exporta para o mercado estadunidense principalmente madeira de coníferas, serradas, cortadas em folhas ou desenroladas, que representaram 54,4% deste valor.
 



 

 

 


 

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